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Para Além das Selfies: Grupo de Autoconhecimento com Adolescentes

October 3, 2016

 

Alguém pode se perguntar o porquê de um grupo de autoconhecimento com adolescentes. Seria realmente necessário?

Afinal de contas os adolescentes não devem lá ter muitas preocupações, não têm responsabilidades, contas para pagar, casa para sustentar, etc. Sem contar que é uma época muito boa, com muitos amigos, festas, diversão, lazer, ficadas e namoros e por aí vai.  Eles  só deveriam estar preocupados em estudar para passar em uma boa faculdade e ser profissionais de sucesso. Certo?!

Pode parecer simples, né?

Mas nem sempre é…

Sem querer entrar numa de generalizar e falar em nome “dos adolescentes” como um todo, como se existisse uma adolescência igual para todo mundo que está na faixa etária de 12 a 18 anos. A adolescência, tal qual se conhece hoje, nem sempre existiu, já foi muito diferente e continua mudando. O que aqui se está chamando de adolescência acontece dentro de uma cultura, de uma sociedade, com vários fatores que influenciam em como as pessoas vão passar por esse momento da vida. Porém, podemos pensar que, justamente, por todos esses fatores externos é que se torna importante abrir um espaço de diálogo, conversa e reflexão junto com os adolescentes sobre como estão vivendo as suas vidas.

Para além dessa caricatura inicial do que poderia ou deveria ser a vida dos adolescentes na nossa sociedade, penso em alguns temas que podem fazer parte das descobertas, desafios, dos sabores e dissabores da vida deles:

 

  • Como estão lidando com as várias mudanças no seu corpo e na sua auto imagem? “Tantas mudanças e quem me ajuda a entender que processo é esse? É normal ter dúvidas? Não posso demonstrar elas? Tenho que sempre parecer seguro de mim?”

  • Como vivenciam a pressão social que é exercida em cima deles em relação à escolha de uma profissão? “Como posso saber o que é melhor para mim? O que eu escolher agora não pode ser mudado, caso eu perceba que não gosto do que escolhi?”

  • Como estão buscando reconhecimento e estabelecendo relações de confiança com seus pares adolescentes dentro da era do bullying? “Será que vão gostar de mim? Como faço para ser popular? Como faço para não cair na tiração das pessoas? Será que tenho que humilhar outros adolescentes primeiro, para que eles não escolham a mim como quem vai ser humilhado por todo mundo?”

  • Como recebem todo o estímulo materialista da nossa sociedade de consumo que diz que feliz é quem tem muito dinheiro e que se tem que fazer tudo por isso. “Dinheiro traz ou não traz felicidade? Por quê tem pessoas ricas que não parecem ser felizes?”

  • Como tentam se encaixar na nossa cultura do corpo que exalta padrões de belezas inatingíveis para a maior parte das pessoas? “Posso me aceitar como eu sou? Ou só posso me aceitar se tiver um corpo bonito? O que é beleza mesmo?”

  • Quais são seus receios e dúvidas acerca dos relacionamentos afetivos? “Preciso ficar logo com os/as meninos/as? Procuro algo que seja duradouro, ou preciso experimentar várias coisas ao mesmo tempo para saber o que é melhor? Relacionamentos trazem felicidade ou sofrimento? Deixo me envolver ou me mantenho mais superficial para não sofrer?”

  • Como lidam com a perspectiva de futuro dentro de um contexto de catástrofes ambientais, violências de todos os tipos, crises econômicas, políticas, de valores, perda de referências, etc. “Que mundo é esse? Conseguirei alcançar meus objetivos? Para que estudar tanto, correr atrás de tanta coisa, se não tenho garantia de nada, nem que vou estar vivo daqui a alguns anos?”

  • O que fazem com todas as informações contraditórias que a sociedade passa diariamente sobre assuntos meio que “proibidos”, mas que parecem ser coisas que todo mundo tem que fazer, tais como sexo, drogas, baladas, correr riscos, etc. “Tenho que ter consciência quando penso na minha sexualidade, né?! Então por que vejo essa mesma sexualidade sendo estimulada por todos os lados, em todos os lugares? Tenho que não beber ou beber com moderação e não usar outras drogas, né?! Então por que vejo um monte de gente se gabando por usarem muitas drogas, de vários tipos, sempre parecendo muito felizes? Tenho que aproveitar a vida da forma mais intensa possível, tenho que ousar, me desafiar, me exceder, né?! Mas nem sempre isso combina com responsabilidade. Como aprender a ser intenso e ao mesmo tempo cuidadoso comigo mesmo e com os que estão à minha volta?”

 

Ainda seria possível citar tantas outras questões e percebo que até mesmo os adultos estão vivenciando muita confusão acerca dessas situações. São questionamentos que geram muitas angústias e sofrimento. Se para os adultos é difícil lidar com muitas dessas questões, imaginem como pode ficar a cabeça de pessoas que  ainda estão construindo suas personalidades e buscando referências que ajudem a entender o mundo ou saber como devem viver. Vivemos numa época em que somos bombardeados diariamente por uma quantidade enorme de informações, valores, opiniões, comportamentos diferentes e, muitas vezes, contrastantes. A opinião que é certa para um grupo de pessoas, para outro é exatamente o oposto. Todos buscam reconhecimento e aceitação, mas como encontrar essas coisas se a sociedade é extremamente contraditória? Este bombardeio ficou ainda mais rápido com a evolução da internet, com as redes sociais, onde estamos conectados com todo o mundo a partir de um click. Porém, essa conexão com a rede, em muitos casos, esconde uma contradição: estamos mais conectados com um monte de gente, temos vários amigos no facebook e não sei quantos seguidores no instagram ou twitter, no entanto, existem pessoas que encontram sérias dificuldades para encontrar amigos que sejam mais próximos de verdade e ajudem nos desafios da vida. Mesmo com tanta “conexão”, tem muitas pessoas se sentindo sozinhas, isoladas, que não conseguem ser verdadeiras consigo e com os outros, escondendo-se atrás de uma máscara superficial. E as redes sociais acabam contribuindo com essa realidade ao enfatizar a importância da imagem. Todos são chamados a postarem seus “momentos felizes” para o mundo, de modo que muitas pessoas acabam fingindo o que realmente sentem para sentirem-se reconhecidos, elogiados, valorizados, sem abrirem tanto espaço para várias outras coisas que também fazem parte das suas vida, mas que não são tão valorizadas assim. As pessoas não curtem tanto se você mostrar que na vida real também tem sofrimentos, desafios, brigas, vazios, etc.

 

O “Para Além das Selfies” é um espaço de convivência com outros adolescentes, de  acolhimento e cuidado, para que estes possam se expressar mais verdadeiramente sobre as várias questões que nem sempre é tão fácil conversar com os outros. É um convite para tentar se aproximar de outras pessoas de um lugar mais verdadeiro. Aprender com a própria experiência e também com a experiência dos demais participantes. Quando estamos em grupo, a história de cada participante serve de espelho para também nos reconhecermos e aprendermos. Se é um convite paras as pessoas serem mais reais, nem sempre vai ser lindo, feliz e fotogênico. Os desafios aparecem trazendo outros sentimentos, mas também trazem muitos aprendizados, muitas coisas que precisam ser olhadas e integradas.  É um momento para refletir que existem muitas coisas que não cabem no que tentamos mostrar para os outros no nosso cotidiano e através das nossas fotos expostas nas redes sociais. Só se conhecendo mais profundamente é que é possível olhar para as várias tensões que vivemos dentro de nós, na nossa família, em nossa sociedade e encontrar um lugar que realmente seja mais feliz, tal qual as mesmas fotos que são postadas. Mas ser feliz de verdade, porque ser feliz e não ser feliz, não é ser feliz! Independente do tamanho do sorriso na foto...

 

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